sábado, 20 de junho de 2009

A força na hora nona

Dias depois do primeiro aniversário, Antônio já começou a andar. Dizia a madrinha que a fala dele estava atrasada. Acreditava-se que água de sino tinha o poder de ajudar na fala e com a vantagem de o menino aprender a falar somente em hora certa.
Crescida em idade e ganhando em esperteza, Antônio corria com os irmãos, pelos matos. Subia pelas árvores até os ganhos mais finos, balançava-se por sobre tantas porteiras, saltava cercas, com tição e brasa, atrás de vaga-lumes. Outras vezes assentado na porta de casa, esperava a noite chegar. Assistia a primeira estrela nascer.
Antônio já nem bebia água depois do jantar. Mas no outro dia ele via o colchão molhado no sol e as roupas de cama de molho. Ensinaram para a mãe que um chocalho de cascavel, amarrado no pescoço, não deixava o menino urinar na cama. Foi nesse tempo que um escorpião mordeu Antônio no meio da perna. A dor era tanta que o menino gritava e avariado via morte. Mas o que fez Antônio para parar de urinar na cama foi o caso dos morcegos. O pai contou que rato, quando fica velho, cria asas e vira morcego e recebe o nome de passarinho do demônio. E ele passa a se alimentar de sangue.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Louvor da manhã

O livro fala de um lugar onde não havia estações do ano, ele era dividido em dois períodos: seca e cheia. Os bebês nasciam na época da cheia. Quando uma galinha começava a engordar, era sinal de que estava chegando um bebê.
Antônio não nasceu no período da chuva e seus pais pegaram uma galinha gorda do vizinho emprestada Nasceu tão fraco que recebeu o batismo em casa, na correria, sem festas. Para padrinhos, escolheram um casal de amigos bem próximos, com muitas desculpas.
Em meados de Abril, Antônio pegou coqueluche. Logo agora – lamentava a mãe – que ele ganhou um pouco mais de peso. A coqueluche passou e Antônio já não tossia mais.
Chegou o aniversário de Antônio. A mesa arrumada com doces sobre ela e a família, de tarde, já com roupa de festa recebendo os convidados. Todos estavam orgulhosos.